segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

BIG BROTHER BRASIL - POR (Luiz Fernando Veríssimo)

Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço...A  décima primeira (está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil,... encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.
Dizem que em Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos, na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE...
Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que  recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo.
Eu gostaria de perguntar, se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis?
São esses nossos exemplos de heróis?
Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros: profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados..
Heróis, são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia.
Heróis, são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.
Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada, meses atrás pela própria Rede Globo.
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.
E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social: moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?
(Poderiam ser feitas mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!)
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.
Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir.
Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.

sábado, 22 de janeiro de 2011

COISAS QUE VOCÊ DEVE SABER ANTES DE ENTRAR NA FACULDADE

Não importa o quão tarde é a sua primeira aula, você vai dormir durante ela;
Você vai mudar completamente e nem vai notar;
Você pode amar várias pessoas de maneiras diferentes;
Alunos de faculdade também jogam aviões de papel durante as aulas;
Se você assistir às aulas arrumado, todo mundo vai perguntar por que você foi tão chique para a faculdade; 
Cada relógio no prédio mostra um horário diferente;
Se você era inteligente no colegial... azar o seu!
Não importa tudo o que você prometeu quando passou no vestibular,você vai às festas da faculdade,mesmo que sejam na noite anterior à prova final;
Você pode saber toda a matéria e ir mal na prova;
Você pode saber nada da matéria e tirar dez na prova;
A sua casa é um ótimo lugar para se visitar;
A maior parte da educação é adquirida fora das aulas;
Se você nunca bebeu, vai beber;
Se você nunca fumou, vai fumar;
Se você nunca transou, vai transar;
Se você não fizer nada disto durante a faculdade, não fará nunca mais na vida,a não ser que você faça uma nova faculdade;
Você vai se tornar uma daquelas pessoas que seus pais falaram para você não se meter com elas;
Psicologia é, na verdade, biologia;
Biologia é, na verdade química.
Química é, na verdade física;
Física é na verdade matemática;
E engenharia é tudo, menos engenharia;
Ou seja, que mesmo depois de estudar anos, você não vai saber nada
Que sentir depressão, solidão e tristeza, não são frescuras de quem não tem o que fazer;
Que você sempre vai prometer que no próximo semestre você vai estudar mais, festear menos, mas sempre acontecerá o contrário;
As únicas coisas que compensam na faculdade são os amigos que você fará lá;
Não verá a hora de terminar a faculdade;
E, quando terminar, perceberá que foi a melhor época de toda a sua vida.


QUANDO A FACULDADE TERMINA OS SINAIS DE QUE VOCÊ NÃO ESTÁ MAIS NA FACULDADE ACONTECEM QUANDO

Fazer sexo em cama de solteiro é um absurdo;
Há mais comida do que cerveja na sua geladeira;
6:00 h da manhã é quando você acorda, e não quando vai dormir;
Você escuta a sua música preferida num elevador;
Você carrega um guarda-chuva e dá a maior importância para a previsão do tempo;
Seus amigos se casam e se divorciam ao invés de ficarem e terminarem;
Suas férias caem de 130 para 15 dias por ano;
Calça jeans e camiseta não é mais considerada vestimenta;
É você que chama a polícia porque a gurizada do vizinho não sabe como abaixar o som;
Você não sabe mais que horas os lanches fecham;
Dormir no sofá te dá uma puta dor nas costas;
Você não tira mais aquele cochilo do meio-dia as 6 da tarde durante a semana;
Você vai a farmácia comprar um remédio para a dor de cabeça e anti-ácidos ao invés de camisinhas e testes de gravidez;
Você come as comidas do café da manhã na hora do café da manhã;
E mais de 90% do tempo em que você passa em frente a um computador você está trabalhando de verdade;
Você não bebe mais sozinho em casa antes de sair para economizar dinheiro antes da noitada;
Não é você que vomita durante a noite, mas é você que acorda para ver o que está acontecendo.
E o mais importante.. . Você não tem tempo nem se quer de ler este e-mail e aproveitar para passá-lo para seus velhos amigos, para que eles lembrem que também estão velhos e os bons tempos da faculdade já eram...

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Na boleia eu penso nela

“Cadê as frases de para-choque, amigo?”, perguntei, abestalhado como sempre, ao Caetano. Não o velho compositor baiano do “tudo é divino, tudo é maravilhoso”, falo do Caetano da estrada, caboclo do Cariri, bravo caminhoneiro das encostas da Serra do Araripe.
“Sumiram, Jesus acabou com essa pouca vergonha”, disse o comandante da boleia, enquanto deslizava suavemente para o toca-discos mais um sucesso de Benito de Paula, aquela, clássico dos clássicos: “O amor que eu tenho guardado no peito/Me faz ser alegre, sofrido e carente/AAAHHH!! Como eu amei…”
Foi em uma estirada de Juazeiro do Norte a São Paulo, quase 3 mil km, que reparei no sumiço quase completo da filosofia carreteira. Além de Caetano, o fotógrafo Tiago Santana, testemunha ocular do meio-do-mundo, completava a trindade da boleia.
Jesus, aqui resguardado todo respeito e devoção cristã, acabou com a filosofia de pára-choque de caminhão. Quase não se vê mais na estrada aquelas frases clássicas, sábias, decifradoras da vida. Jesus invadiu todos os pára-choques, lameiras, painéis, carrocerias.
“E olhe que caminhoneiro é uma raça muito da sem-vergonha”, diverte-se Caetano, o rei da buraqueira. “Mas o Homem forte e poderoso”.
“Só Jesus salva”.
“O senhor é o meu pastor, nada me faltará”.
Quando não tem Jesus, vai o escudo de time. Haja Flamengo – com Ronaldinho –, haja Corinthians, São Paulo e uma baleia do Peixe vez ou outra encalhada na lameira. Quando entramos em Minas, uma eternidade de asfalto, as estrelas do Cruzeiro e a pabulagem do Atlético.
Os mais amorosos ainda pintam lá um coração com o nome dela, a amada, como na lírica do Rei Roberto. O mais lindo que avistamos foi um “eu te amo, Izildinha, desalmada”. No que Caetano, sábio de rodagem, não contém o chiste: “Ser caminhoneiro tudo bem, ninguém escolhe o destino; mas ser caminhoneiro e corno também já é demais da conta!”
Manda a pérola e aperta a trilha sonora conveniente, grande DJ de boleia: Bartô Galeno. Alta fidelidade, o fino do chifre, põe bem alto aquela diz mais ou menos assim: “No toca fita do meu carro/ Uma canção me faz lembrar você/Acendo mais um cigarro/E procuro lhe esquecer.”
Uma pausa para a melhor lingüiça de porco do Brasil, com pão e cerveja, na taverna de Jacy de Góes, lá em Itaguara, posto de gasolina, BR 381, Km 546, ainda no infinito das Gerais. Bartô Galeno nas alturas atrai as damas da noite. “Vamos fazer amorzinho gostoso, chuchu!”, diz uma das princesas. Caetano, cavalheiro, agradece, liga o motor e partimos mais uma vez.
Mas como eu ia dizendo aqui na boleia, a louvação a Jesus substituiu a sabedoria popular sobre rodas. Que não ficava nada a dever aos aforismos de Nietzsche, como diz o amigo Paulo Mota,  provando que é possível filosofar em para-choquês. Uma das sentenças mais conhecidas do povo encontra a sua correspondência na cartilha do pensador alemão. Enquanto o para-choque registra  “o que não mata engorda” , o bigode de vassoura nos sai com a sua “o que não mata, me fortalece”.
E sabe aquela redinha que enfeitava a boleia, logo atrás dos para-brisas? Também está sumindo. Só vimos uma na estrada, num velho caminhão caindo aos pedaços. Em alta estão os grandes adesivos, sempre colados às cabines. Com tudo quanto é motivo pop, ai incluído também o Jesus Super Star em preto e branco.
Guiados por satélite, por causa dos assaltos, os caminhoneiros também não podem dar as grandes escapadas, como acontecia antigamente. Modernidade é isso ai. “Big Brother” na estrada. Agora as transportadoras e donos das cargas sempre sabem onde eles estão, eterna vigilância rodoviária.
As novidades, no entanto, não impedem que a graça continue. O atualíssimo “Jesus Salva”, por exemplo, já ganhou uma continuidade filosófica, em pequenos adesivos e na voz dos próprios caminhoneiros: “Jesus salva!… passa para Moisés, que chuta e é goool!!!”
& Modinhas de fêmea
Para matar a saudade das moças, alguns clássicos do para-choque amoroso: “20 Buscar 100 demora 60 aqui e vamos embora.” “Muitos pneus cheios, mas um coração vazio”.“Beijo de mulher casada tem gosto de pólvora”.“Deus abençoe as mulheres bonitas, e as feias se sobrar tempo”.“Feliz foi Adão, que não tinha sogra nem caminhão”.

Por Xico Sá . 14.01.11

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

UMA NOITE NO MUSEU

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R$ 2,99
INFORMAÇÕES DO ARQUIVO
Áudio: Português
Legenda:Indisponível
Tamanho: 700 MB
Formato: Avi
Qualidade: DVDRip

INFORMAÇÕES DO FILME
Ano de Lançamento:2006
Gênero: Comédia / Aventura
Duração:108 min
Classificação Etaria: L
Curiosidades, Atores, Cenas
  
Sinopse:Um segurança sonhador aceita trabalhar no turno da madrugada no Museu de História Natural de Nova York. Durante seu trabalho, porém, coisas estranhas começam a acontecer – maias, gladiadores romanos e cowboys saem de suas maquetes e travam batalhas épicas; em sua busca por fogo, um neandertal queima sua vitrine; Átila – O Huno começa a pilhar a sua ala do museu e um Tiranossauro lembra a todos os motivos pelos quais ele é considerado o maior predador de todos os tempos. Em meio ao caos, a única pessoa que pode ajudar o segurança é a figura de cera do presidente Teddy Roosevelt.

Atenção:
Produto Digital.
Primeiro compre o filme pelo link do mercado pago. Após a aquisição do filme abrirá uma página para baixar o filme. Clicar no link de download para baixar o filme e após alguns segundos é só clicar em download comum. Sugiro que antes de começar a baixar voce grave a pagina em favoritos. Caso o download esteja lento voce podera cancelar e depois de algums minutos começar novamente. O tempo estimado para baixar o arquivo é de 01:10 sendo a conexão com a internet de boa qualidade.
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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A INVEJA - POR ROBERTO DA MATA

Você tem inveja?
Roberto Da Matta

A inveja é um sentimento básico no Brasil. Está para nascer um brasileiro sem inveja. A coisa é tão forte que falamos em 'ter' - em vez de 'sentir' - inveja. Outros seres humanos e povos sentem inveja (um sentimento entre outros), mas nós somos por ela possuídos. Tomados pela conjunção perversa e humana de ódio e desgosto, promovidos justamente pelo sucesso alheio. Nosso problema é o sujeito do lado, rico e famoso, que esbanja reformando a casa, comprando automóveis importados e dando 'aquelas festas de tremendo mau gosto!'. Ou é o sujeito brilhante que - estamos convencidos - 'tira' (rouba, apaga, represa, impede) a nossa chance de fulgurar naquela região além do céu, pois residindo no nirvana social dos poderosos (mesmo quando são cínicos e fracos); dos ricos (mesmo quando pobres e sofredores); dos belos (mesmo quando são feios); dos famosos (mesmo quando são fruto promocional das revistas e jornais); e dos elegantes (mesmo quando são cafonas), estariam acima de todas as circunstâncias.

Estou seguro que não é o patriotismo mas a inveja, o sentimento básico de nossa vida coletiva. Para começar a gostar do Brasil, tínhamos que invejar a França, a Inglaterra, a Rússia, a Alemanha, a Itália e os Estados Unidos. Era, sem dúvida, a inveja que nos fazia torcer pela queda do Brasil no tal abismo de onde ele sairia melhor do que todo mundo. Antes do sexo, o brasileiro, tem inveja. Ela antecede a sensualidade e o erotismo, sendo básica na formação de nossa identidade pessoal. Você sabe quem é, leitor, pela inveja que sente todas as vezes que encontra o tal 'alguém' que, pela relação invejosa, te faz sentir um bosta: um 'ninguém'.

Como as nuvens em volta das montanhas, a inveja se adensa em torno de quem é visto como importante, de modo que, ser invejado, é equivalente a 'ter poder', 'charme', 'prestígio' e 'riqueza'. Dizem que a inveja é perigosa, mas o fato concreto é que não há brasileiro que não goste de ser invejado por alguma coisa. Pelo salário, pelo poder, pela beleza, pelo sucesso, pela inteligência e até mesmo pelas sacanagens, injustiças, calúnias, e descalabros que comete. Num seminário recente sobre 'Ética e Corrupção', eu disse que é justamente a vontade de ser invejado que descobre os corruptos. Pois diferentemente dos ladrões de outros países, que roubam e somem no mundo, os nossos são forçados pela 'lei relacional da inveja' a retornar ao lugar natal para mostrar aos seus parentes, amigos e, acima de tudo, inimigos, como estão ricos e, nisso, são denunciados, presos, soltos e finalmente colocados no panteão cada vez mais extenso dos canalhas nacionais. Dos infames que comprovam como a inveja e o desejo de ser invejado é o motor da vida brasileira.

Minha tese é a de que até a canalhice é invejada no Brasil. Richard Moneygrand, o grande brasilianista, escreveu no seu diário filosófico, Voyage Into Brazil que: 'Para os brasileiros, um dia sem inveja, é um dia sem luz. A inveja confirma a idéia nacional do sucesso para poucos, como antes confirmava o berço e o sangue para a aristocracia e a superioridade social para os funcionários públicos e senhores de engenho. Todos a condenam, mas ninguém pode passar sem ela.'

A inveja, digo eu, é o sinal mais forte de um sistema fechado, onde a autonomia individual é fraca e todos vivem balizando-se mutuamente. O controle pela intriga, boato, fofoca, fuxico e mexerico é a prova desse incessante comparar de condutas cujo objetivo não é igualar, mas hierarquizar, distinguir, pôr em gradação. O horror à competição, ao bom senso, à transparência e à mobilidade, é o outro lado dessa cultura onde ter sucesso é uma ilegitimidade, um descalabro e um delito.

O êxito demarca, eis o problema, um escapar da rede que liga todos com todos. Essa indesejável individualização tem mais legitimidade quando vem de quem já está estabelecido. Daí ser imperdoável que Fulano - 'aquela figurinha' - o faça, destacando-se pelo disco, novela, livro ou empreendimento desse mundo onde todos são pobres e miseráveis por definição e por culpa do 'social'. O pecado mortal das sociedades relacionais é justo essa individualização que separa o sujeito de uma rede hierárquica. Rede que nos persegue neste e no outro mundo.

Como, então, não sentir inveja do sucesso alheio, se estamos convencidos que o êxito é um ato de traição a um pertencer coletivo conformado e obediente. Como não sentir inveja se o exitoso é aquele que recusa ser o bom cabrito que não chama atenção e passa a ser o mais vistoso - esse símbolo de egoísmo e ambição? Ademais, como não ter inveja, se o sucesso é um sinal de pilhagem de um bem coletivo? Essa coletividade que, entra ano e sai ano, continua a ser percebida como mesquinha, subdesenvolvida, pobre e atrasada? Como um bolo pequeno e que jamais cresce, destinado a ser comido somente pelos que estão sentados à mesa?

Roberto Da Matta

O Roda Viva recebeu uma das pessoas que mais entende de Brasil, e isso há pelo menos 40 anos. O antropólogo Roberto Da Matta é o convidado do programa dessa semana. Com mais de uma dezena de livros publicados no país e no exterior é professor emérito da Universidade Notre Dame, nos Estados Unidos e da PUC do Rio de Janeiro.
DaMatta já escreveu sobre índios, carnaval, futebol, mulher, comida e até jogo do bicho. Dentro desses assuntos e de muitos outros, ele tenta sintetizar o pensamento do brasileiro de ontem, hoje e de amanhã.

Entrevista com o antropólogo Roberto da Matta na Tv Cultura. Um excepcional entrevista.

http://www.tvcultura.com.br/rodaviva/

Espero que gostem.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O HOMEN NÚ

Fernando Sabino

Ao acordar, disse para a mulher:
— Escuta, minha filha: hoje é dia de pagar a prestação da televisão, vem aí o sujeito com a conta, na certa.  Mas acontece que ontem eu não trouxe dinheiro da cidade, estou a nenhum.
— Explique isso ao homem — ponderou a mulher.
— Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto de cumprir rigorosamente as minhas obrigações. Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro, não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém.   Deixa ele bater até cansar — amanhã eu pago.
Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao banheiro para tomar um banho, mas a mulher já se trancara lá dentro. Enquanto esperava, resolveu fazer um café. Pôs a água a ferver e abriu a porta de serviço para apanhar o pão.  Como estivesse completamente nu, olhou com cautela para um lado e para outro antes de arriscar-se a dar dois passos até o embrulhinho deixado pelo padeiro sobre o mármore do parapeito. Ainda era muito cedo, não poderia aparecer ninguém. Mal seus dedos, porém, tocavam o pão, a porta atrás de si fechou-se com estrondo, impulsionada pelo vento.
Aterrorizado, precipitou-se até a campainha e, depois de tocá-la, ficou à espera, olhando ansiosamente ao redor. Ouviu lá dentro o ruído da água do chuveiro interromper-se de súbito, mas ninguém veio abrir. Na certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão. Bateu com o nó dos dedos:
— Maria! Abre aí, Maria. Sou eu — chamou, em voz baixa.
Quanto mais batia, mais silêncio fazia lá dentro.
Enquanto isso, ouvia lá embaixo a porta do elevador fechar-se, viu o ponteiro subir lentamente os andares...  Desta vez, era o homem da televisão!
Não era. Refugiado no lanço da escada entre os andares, esperou que o elevador passasse, e voltou para a porta de seu apartamento, sempre a segurar nas mãos nervosas o embrulho de pão:
— Maria, por favor! Sou eu!
Desta vez não teve tempo de insistir: ouviu passos na escada, lentos, regulares, vindos lá de baixo... Tomado de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim despido, embrulho na mão, parecia executar um ballet grotesco e mal ensaiado. Os passos na escada se aproximavam, e ele sem onde se esconder. Correu para o elevador, apertou o botão. Foi o tempo de abrir a porta e entrar, e a empregada passava, vagarosa, encetando a subida de mais um lanço de escada. Ele respirou aliviado, enxugando o suor da testa com o embrulho do pão.
Mas eis que a porta interna do elevador se fecha e ele começa a descer.
— Ah, isso é que não!  — fez o homem nu, sobressaltado.
E agora? Alguém lá embaixo abriria a porta do elevador e daria com ele ali, em pêlo, podia mesmo ser algum vizinho conhecido... Percebeu, desorientado, que estava sendo levado cada vez para mais longe de seu apartamento, começava a viver um verdadeiro pesadelo de Kafka, instaurava-se naquele momento o mais autêntico e desvairado Regime do Terror!
— Isso é que não — repetiu, furioso.
Agarrou-se à porta do elevador e abriu-a com força entre os andares, obrigando-o a parar.  Respirou fundo, fechando os olhos, para ter a momentânea ilusão de que sonhava. Depois experimentou apertar o botão do seu andar. Lá embaixo continuavam a chamar o elevador.  Antes de mais nada: "Emergência: parar". Muito bem. E agora? Iria subir ou descer?  Com cautela desligou a parada de emergência, largou a porta, enquanto insistia em fazer o elevador subir. O elevador subiu.
— Maria! Abre esta porta! — gritava, desta vez esmurrando a porta, já sem nenhuma cautela. Ouviu que outra porta se abria atrás de si.
Voltou-se, acuado, apoiando o traseiro no batente e tentando inutilmente cobrir-se com o embrulho de pão. Era a velha do apartamento vizinho:
— Bom dia, minha senhora — disse ele, confuso.  — Imagine que eu...
A velha, estarrecida, atirou os braços para cima, soltou um grito:
— Valha-me Deus! O padeiro está nu!
E correu ao telefone para chamar a radiopatrulha:
— Tem um homem pelado aqui na porta!
Outros vizinhos, ouvindo a gritaria, vieram ver o que se passava:
— É um tarado!
— Olha, que horror!
— Não olha não! Já pra dentro, minha filha!
Maria, a esposa do infeliz, abriu finalmente a porta para ver o que era. Ele entrou como um foguete e vestiu-se precipitadamente, sem nem se lembrar do banho. Poucos minutos depois, restabelecida a calma lá fora, bateram na porta.
— Deve ser a polícia — disse ele, ainda ofegante, indo abrir.
Não era: era o cobrador da televisão.

Esta é uma das crônicas mais famosas do grande escritor mineiro Fernando Sabino. Extraída do livro de mesmo nome, Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1960, pág. 65.
Agradeço a Cristhiano Rocha Pereira pela lembrança.
Tudo sobre o autor em "Biografias".

sábado, 8 de janeiro de 2011

Aquolina Pink Sugar

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O perfume Pink Sugar tem uma fragrância doce e suave que remete você a um universo delicado e feminino. Feito para você que é jovem e romântica. Duas gotas de perfume e o mundo se pinta de rosa.

Rosa como a feminilidade, a ternura e o amor. É uma experiência única de sonho e realidade. A fragrância evoca lembranças da infância e doces desejos futuros. A base doce de baunilha é cortada na ponta do suave cítrico da bergamota e das laranjas da Sicília.

É um dos perfumes mais vendido nos EUA. Aparece no filme "O Diabo veste Prada" como um elegante presente entregue pela protagonista a um dos seus amigos.

Duas gotas do Pink Sugar e sua vida se transforma!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

EU SOU A LENDA

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FICHA TÉCNICATítulo Original: I Am Legend
Gênero: Ficção Científica
Tempo de Duração: 101 min
Ano de Lançamento: 2007
Qualidade: DVDRip
Formato: avi
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 702 mb
Sinopse: Um terrível vírus incurável, criado pelo homem, dizimou a população de Nova York. Robert Neville (Will Smith) é um cientista brilhante que, sem saber como, tornou-se imune ao vírus. Há 3 anos ele percorre a cidade enviando mensagens de rádio, na esperança de encontrar algum sobrevivente. Robert é sempre acompanhado por vítimas mutantes do vírus, que aguardam o momento certo para atacá-lo. Paralelamente ele realiza testes com seu próprio sangue, buscando encontrar um meio de reverter os efeitos do vírus
Atenção:
Produto Digital.
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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A Instalação Subterrânea - Uma Entrevista com Valery Uvarov

Entrevista com Valery Uvarov Sobre uma instalação secreta em teritorio Russo, com declarações sobre o acidente de Tunguska.


Por Graham W. Birdsall em 2003
Tradução: Atílio Coelho

Os textos a seguir foram transcritos de uma entrevista filmada com Valery Uvarov, da Academia de Segurança Nacional da Rússia, conduzida por Graham W. Birdsall, Editor da Revista OVNI da Grã Bretanha. A entrevista aconteceu na 12º Reunião do Congresso Internacional de Ufologia e Festival de Filmes, em Fevereiro de 2003 em Laughlin, Nevada, EUA.
Por favor, observem que Graham Birdsall já faleceu e a Revista OVNI fechou.
Graham Birdsall (GB): Qual é o seu título oficial?
Valery Uvarov (VU:) Sou chefe da Repartição de Pesquisa OVNI, Ciência e Academia de Segurança Técnica, Nacional, fundada em St. Petersburg, Rússia.
GB: Esta então é uma agência oficial do governo russo?
VU: Absolutamente. Sou responsável e há duas pessoas que me comandam. Acima deles vem o nosso Presidente Putin. Os nossos esforços de pesquisa são divididos em duas partes. Em primeiro lugar, estamos analisando constantemente dados que entram de todas as partes do mundo. Então extraímos os que consideramos ser as informações mais interessantes através do nosso processamento de dados classificando o que é amarelo (alerta), que é vermelho 9de extrema urgência). Isto, então, é liberado a departamentos variados por toda Rússia. O outro aspecto da nossa pesquisa resultou da seguinte questão: Os OVNIs existem ou não? Com certeza, nós sabemos que eles existem, mas o que está por trás da sua atividade, quais são os seus interesses? Estas respostas são as mais importante para nós, e aquilo que nós concentramos mais em nossas investigações.
GB: Há cooperação ativa entre NASA e funcionários aeroespaciais russos a nível técnico/científico e talvez mesmo a nível militar?
VU: Posso dizer-lhe, de fato, que somente alguns dias antes que voei para os Estados Unidos tive um encontro com meu chefe... Permita-nos dizer, os meus chefes. E eles disseram estar muito interessados em cooperar com outras organizações... Nos permitido dizer algumas coisas a nossos amigos do Oeste. Assim, posso dizer-lhe que esta missão particular é ponto de partida para uma maior troca de informações. Minha missão é encontrar pessoal que estuda estes fatos. Quando isto for feito, e a fase seguinte será ativada, e poderemos dar alguns passos no futuro.
GB: Antes você estudou alguns desenvolvimentos importantes que tinham a ver com a explosão de Tunguska de 1908. Para registro, você pode nos dizer por que você agora acredita saber a causa?
VU: Não é um caso de opinião; sabemos o que o causou. Foi um meteoro, mas um meteoro que foi destruído por algo... Podemos até dizer que foi um míssil. O míssil foi gerado por uma instalação material. Nós não sabemos quem o construiu, mas foi construído há muito tempo, há muito tempo atrás e está situado na Sibéria, a centenas de quilômetros ao norte de Tunguska. Posso dizer-lhe que nossa investigação revelou mais do que uma explosão em Tunguska. Gostaria de compartilhar alguma coisa com você. A última vez que esta instalação lançou mísseis em um meteoro foi nos dias 24 e 25 de setembro. Foram os americanos? Eles também têm três bases. Eles também notaram esta explosão.
GB: Perdoe-me, mas alguém dirá que isto parece ficção científica.
VU: Graham, você sabe que quando falamos sobre as verdades que existe por detrás desta questão que nós fazemos somente com aqueles que têm uma compreensão da responsabilidade que estes fatos demandam. E você sabe que estamos lidando com uma tecnologia muito a frente da nossa, e capaz de fazer coisas que não podemos.
GB: Você pode ser mais específico sobre a localização desta instalação?
VU: Procure o lugar da explosão Tunguska. Ao sudeste está o grande e famoso Lago Baikal. Ao norte, está um território enorme e estéril cobrindo 100.000 quilômetros. Dificilmente as pessoas vivem lá. Não há nenhuma cidade ou cidades. Ali é onde situamos esta instalação.
GB: Você está consciente de contos ou rumores estranhos envolvendo o Planeta chamado de "X"? Se algum novo corpo celeste tivesse entrado em nosso sistema solar, os astrônomos seguramente o teriam detectado e declarariam a sua presença?
VU:  Não posso falar pelos astrônomos do leste, mas os astrônomos da nossa Academia nos dizem que não temos nada a temer. Ouvi gente falar sobre um planeta de rotação de 3.600 anos e que este planeta está numa órbita similar a da Terra, mas atrás do Sol. Sabemos que este planeta e a instalação na Sibéria estão estritamente conexos. Gostaria de dizer que acreditamos que esta instalação esteja mantendo esse planeta numa órbita estável. Se esse planeta fosse mover-se, mudar órbita, o sistema solar inteiro se tornaria instável. Esses astrônomos de nossa Academia têm certeza de que este planeta é habitado, e que esta instalação foi projetada para nos proteger. Temos certeza de que nada de perigoso acontecerá. Tudo está sob controle. As nossas investigações mostraram que a Terra tem um pulso, uma freqüência regulada com uma grande precisão que afeta tudo, e todos os seres vivos. Há aproximadamente 12.500 anos atrás, este pulso se adaptou para 360 dias. Recomendo o estudo do velho calendário egípcio, mas então um asteróide se chocou com a Terra. Acreditamos que a órbita da Terra foi alterada, artificialmente, para compensar este acidente. Nosso planeta moveu-se para mais longe do Sol, ficando com um pulso de freqüência de 365 dias.

Isto nos ensinou a acreditar que temos amigos que nos guardam, silenciosamente. Eles não permitiram que qualquer planeta, cometa ou asteróide se chocasse com a  Terra a fim de destruí-la. Isto, para nós está absolutamente claro agora.
Para os que gostam do espaço... Tenho uma verdade a falar. Todos nós estamos empenhados neste projeto e sentimos uma dor em nossos corações a cada nova descoberta. Todos nós estamos aqui, investigando esta instalação e outros materiais. Nenhum deles foi construído por russos ou americanos, mas por por outra civilisação. Talvés alguém do espaço sideral. Temos uma enorme preocupação quando pensamos no que poderia acontecer se as armas nucleares fossem lançadas ao espaço.
Gostaria de falar francamente. Esta instalação tem um sistema de poder e uma fonte de energia. Já localizamos isto. Foi durante o conflito na Iugoslávia quando notamos um aumento nesta energia. Para nós, isto era incrível, mas nós agora sabemos que esta instalação reage à agitações terrestres e conflitos sociais. Parte da nossa investigação implicou em procurar através de registros e arquivos antigos. Então nós pesquisamos através dos textos de Echutin Apposs Alanhor. Nós os chamamos o Alanhor, e eles têm pelo menos 4.000 anos. Eles descrevem esta instalação em termos científicos e com referência do que estava acontecendo lá. É assombroso.

Visitei a área duas vezes. Na primeira vez, a nossa aparelhagem detectou níveis fortes de radiação. Tenho que dizer-lhe, que era bonito e perigoso; não podería esconder isto. Os poucos habitantes locais da área souberam desta instalação, naturalmente, e eles a descreveram para nós. Eles descrevem as estruturas como sendo de um tipo de metal e as desenham para nós. Colocamos tudo sobre um mapa. Mas esta gente, e suas famílias, bem como os animais, estão sofrendo de uma doença oriunda da radiação.
Os níveis de radiação foram controlados continuamente nos últimos seis anos, e agora os animais deixaram a floresta. Gostaria de dizer alguma coisa sobre a explosão Tunguska, alguma coisa que nunca foi falada antes. Dois meses antes da explosão, todos os animais viventes fugiram da região. Era como se uma instalação tivesse sido acionada para lidar com este asteróide. Com a explosão veio o aumento de radiação. A mesma coisa está acontecendo agora, hoje.

GB: Há algum plano para organizar outra expedição à área e visitar esta base ou instalação?
VU:  A radiação é um fator a mais a ser pesquisado. Claro que outra expedição está sendo programada para os próximos anos. Nós queremos ser abertos e honestos sobre este fato. Nós agradecemos a participação internacional, mas as pessoas que nós convidarmos devem ser responsáveis aos olhos de todo o mundo. Queremos gente honesta, de mente aberta e transparente, que esteja disposta a cooperar na troca de informações para então disseminar os dados científicos. Convido você, Graham, para vir para a Rússia e visitar esta base como observador.
GB: Ficaria honrado. Obrigado.
VU: Você pode dizer que vive entre nós na Russia. Você ainda pode ter percebido que é tempo de outras pessoas verem isso, e não somente algumas.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

5x Favela – Agora Por Nós Mesmos

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R$ 2,99


FICHA TÉCNICA
Título Original: 5x Favela – Agora Por Nós Mesmos
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 96 min
Ano de Lançamento: 2010
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb
Áudio: Português
Legenda: s/l
Tamanho: 347 mb
Sinopse: Em 1961, cinco jovens cineastas de classe média, oriundos do movimento estudantil universitário, realizavam o filme “Cinco Vezes Favela”. Carlos Diegues, Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman, Marcos Farias e Miguel Borges eram aqueles jovens que tornaram o filme um marco do cinema moderno brasileiro e um dos fundadores do Cinema Novo. Passadas quatro décadas, “Cinco Vezes Favela, Agora por Nós Mesmos” reúne dessa vez jovens cineastas moradores de favelas do Rio de Janeiro, treinados e capacitados a partir de oficinas profissionalizantes de audiovisual ministradas por grandes nomes do cinema brasileiro, como Nelson Pereira dos Santos, Ruy Guerra, Walter Lima Jr., Daniel Filho, Walter Salles, Fernando Meirelles, João Moreira Salles e muitos outros. O projeto apresenta cinco filmes de ficção, de cerca de 20 minutos cada um, sobre diferentes aspectos da vida em suas comunidades.

Atenção:
Produto Digital.
Após clicar no link de download para baixar o filme, após alguns segundos é só clicar em download comum. Sugiro que antes de começar a baixar voce grave a pagina em favoritos. Caso o download esteja lento voce podera cancelar e depois de algums minutos começar novamente. O tempo estimado para baixar o arquivo é de 01:10 sendo a conexão com a internet de boa qualidade.
Sugiro que voce assista no BS PLAYER.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Crônica de Ano Novo


Veríssimo.
Existem muitas superstições sobre a melhor maneira de entrar o Ano-Novo. Na nossa casa, por exemplo, nunca falta um prato de lentilha para ser consumido nos primeiros minutos do ano que começa. Dá sorte. Ouvi dizer que na Espanha, ao soar da meia-noite, deve-se comer uma uva para cada badalada do relógio. Este costume chegou à Bulgária mas, por uma falha na tradução, lá se come um melão para cada batida do relógio, e os hospitais ficam cheios do dia 1º. Na Suíça, comem o relógio.
Algumas crenças persistem através do tempo, desafiando toda lógica. Se o champanhe aberto à meia-noite não estourar e se tiver alguém na família chamado Edgar, é sinal de que a casa será arrasada por uma manada de elefantes e o champanhe está choco. Na Rússia, depois de brindarem o Ano-Novo com vodca, os convidados devem atirar suas taças contra a parede e depois ficar muito brabos porque não há mais copos na casa e atirar o anfitrião contra a parede. De qualquer maneira, a festa termina cedo.
Na Índiam se a primeira criança que nascer no Ano-Novo tiver bigode, fumar de piteira e pedir para falar urgentemente com o Kofi Anan, é mau sinal. Na Polinésia, em certas tribos primitivas, o guerreiro mais audaz deve levar a virgem mais bonita até a boca do vulcão e atirá-la para a morte, como um sacrifício aos deuses. Mas a encosta do vulcão é comprida, os dois param para descansar um pouco e, quando chegam à boca do vulcão, estabelece-se o paradoxo: se o guerreiro era audaz, a moça não é mais virgem, se a moça ainda é virgem, o guerreiro não era audaz, e o sacrifício sempre fica para o ano que vem. Na Austrália, todos se atiram contra a parede.
Entrar o Ano-Novo de gravata-borboleta pode comprometer seriamente as relações entre o Oriente e o Ocidente. O primeiro animal que você encontrar na rua no Ano-Novo pode significar uma coisa. Cachorro é sorte. Gato é dinheiro. Rato é saúde. Um bando de hienas é azar, corra. Um cavalo roxo dançando o xaxado na calçada significa que você está bêbado. Vá dormir.
Em certos lugares, é costume derramar champanhe no decote da mulher ao seu lado, o que lhe trará, a longo prazo, bons negócios, e, a curto prazo, um tapa-olho. Se você estiver num réveillon junto com seu patrão, não esqueça de se colocar estrategicamente para ser o primeiro a abraçá-lo à meia-noite. Dance com a mulher dele. Insista para que ele dance com a sua. Proponha vários brindes. Pule em cima da mesa. Proponha mais brindes. Diga que agora você é quem vai dançar com o patrão e não quer nem saber. Acabe lhe dizendo algumas verdades. Proteste que ninguém precisa segurar você, você está sóbrio, entende? Sóbrio! Só não sabe como uma manada de elefantes roxos invadiu o salão, ou será que a mulher do patrão trouxe a família toda? No dia 1º você não se lembrará de nada. No dia 2, você vai procurar outro emprego. Chato.
Outro costume é fazer previsões na véspera do Ano-Novo. Pode chover. Alguém, em algum lugar do Brasil, está dizendo: “Boas-entradas nada, eu quero saber onde fica a saída…” E a previsão mais fácil de todas…
- Qual é?
- Amanhã eu vou estar de ressaca!
Enfim, o Ano-Novo já está quase aí e, apesar de muita gente em São Paulo telefonar para os parentes no Japão, onde o 2011 chegará mais cedo, querendo saber que tal o ano, como quem pergunta como é que está a água, ninguém sabe como ele será. Farei o possível para entrar nele com o pé direito, mas, quando perceber, ele é que terá entrado em mim, não dará para recuar.
Só sei uma coisa. Assim que o relógio terminar de bater a meia-noite, comerei meu prato de lentilha para dar sorte. Pedirei outro. E derramarei lentilha no colo, destruindo para sempre A) um bom par de calças e B) minha fé em qualquer tipo de superstição.”